Sexta-feira, Novembro 06, 2009
Portinari...
Postado por Leonor Cordeiro às 10:14 8 comentários
Marcadores: Candido Portinari, Os meus poetas...
Quinta-feira, Novembro 05, 2009
O leitor e o livro...
Postado por Leonor Cordeiro às 16:36 4 comentários
Marcadores: O leitor e o livro ...
Quarta-feira, Novembro 04, 2009
O apanhador de desperdícios
. Uso a palavra para compor meus silêncios.
Postado por Leonor Cordeiro às 01:33 4 comentários
Marcadores: As palavras ..., Manoel de Barros, Os meus poetas...
Segunda-feira, Novembro 02, 2009
La carencia
Postado por Leonor Cordeiro às 23:24 5 comentários
Marcadores: Alejandra Pizarnik, Os meus poetas...
Quinta-feira, Outubro 29, 2009
ta_manco
Postado por Leonor Cordeiro às 20:56 5 comentários
Marcadores: Líria Porto, Meus "novos" poetas e as suas palavras ...
Terça-feira, Outubro 27, 2009
O lutador
A luta de Jacó com o anjo -Alexander Louis Leloir, 1865.
.
Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes
como um javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria
poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
Deixam-se enlaçar,
tontas à carícia
e súbito foge
me não há ameaça
e nem há sevícia
que as traga de novo
ao centro da praça.
.
Insisto, solerte.
Busco persuadi-las.
Ser-lhes-ei escravo
de rara humildade.
Guardarei sigilo
de nosso comércio.
Na voz, nenhum travo
de zanga ou desgosto.
Sem me ouvir deslizam,
perpassam levíssima
se viram-me o rosto.
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue…
Entretanto, luto.
.
Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.
Quisera possuir-te
neste descampado,
sem roteiro de unha
ou marca de dente
nessa pele clara.
Preferes o amor
de uma posse impura
e que venha o gozo
da maior tortura.
.
Luto corpo a corpo,
luto todo o tempo,
sem maior proveito
que o da caça ao vento.
Não encontro vestes,
não seguro formas,
é fluido inimigo
que me dobra os músculos
e ri-se das normas
da boa peleja.
.
Iludo-me às vezes,
pressinto que a entrega
se consumará.
Já vejo palavras
em coro submisso,
esta me ofertando
seu velho calor,
aquela sua glória
feita de mistério,
outra seu desdém,
outra seu ciúme,
e um sapiente amor
me ensina a fruir
de cada palavra
a essência captada,
o sutil queixume.
Mas ai! é o instante
de entre
abrir os olhos:
entre beijo e boca,
tudo se evapora.
.
O ciclo do dia
ora se conclui e o inútil duelo
jamais se resolve.
O teu rosto belo,
ó palavra, esplende
na curva da noite
que toda me envolve.
Tamanha paixão
e nenhum pecúlio.
Cerradas as portas,
a luta prossegue
nas ruas do sono.
.
Carlos Drummond de Andrade - Nova Reunião, p. 94-97
Postado por Leonor Cordeiro às 14:55 4 comentários
Marcadores: As palavras ..., Carlos Drummond de Andrade, Os meus poetas...
Segunda-feira, Outubro 26, 2009
.
.
Nossa existência é tão fugaz que, se não escrevermos à noite o que aconteceu pela manhã, o trabalho nos atordoa e não nos sobra tempo para registrá-lo. Isto não impede que lancemos ao vento as horas que são para o homem as sementes da eternidade.
Chateaubriand, Mémoires d'outre-tombe
.
.
Postado por Leonor Cordeiro às 09:34 6 comentários
Marcadores: Esses escritores maravilhosos...
Sexta-feira, Outubro 23, 2009
A canção do tédio
Toni Frissell.
Postado por Leonor Cordeiro às 20:31 7 comentários
Marcadores: Guilherme de Almeida, Os meus poetas...
O leitor e o livro...
Postado por Leonor Cordeiro às 20:24 0 comentários
Marcadores: O leitor e o livro ...
Quarta-feira, Outubro 21, 2009
Procura da poesia
.
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem; rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
.
Repara:
ermas de melodia e conceito,
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
.
Carlos Drummond de Andrade – p. 111 e 112 - Nova Reunião: 19 livros de poesia - Editora José Olympio
Postado por Leonor Cordeiro às 21:43 6 comentários
Marcadores: Carlos Drummond de Andrade, Os meus poetas..., Sobre a poesia..., sobre o escrever...
Terça-feira, Outubro 20, 2009
(ESCRE)VER-ME
Postado por Leonor Cordeiro às 21:38 3 comentários
Marcadores: Meus "novos" poetas e as suas palavras ..., Mia Couto, sobre o escrever...

















